Um pouco mais a sério...
Foi-me proposto fazer um trabalho de investigação, no âmbito da pediatria, que eu terminei ontem. Tratar um tema que mexe com os nossos sentimentos, pelas mais diversas razões (familiares ou profissionais), torna-se por vezes uma experiência conturbada mas ao mesmo tempo muito enriquecedora.
O tema do trabalho foi: “O Enfermeiro Perante a Criança de Idade Escolar em Fase Terminal”.
Este tema foi escolhido por considerar ser um tema que ainda constitui um tabu para muitos profissionais de enfermagem. O principal objectivo do trabalho seria perceber as atitudes, intervenções e sentimentos demonstrados e prestados pelo enfermeiro à família e criança com morte esperada. As conclusões que retirei do trabalho foram as esperadas, mas ao mesmo tempo fizeram-me pensar e reflectir:
O enfermeiro não se encontra preparado para trabalhar com doentes terminais (especialmente quando estes são crianças), uma vez que a sua actuação requer uma filosofia de cuidar para a qual, no meu entender, não foram preparados nem treinados. O distanciamento que estes profissionais estabelecem, quer consciente ou inconscientemente, com estas situações que mexem com o nosso ser foi evidente em quase todas as entrevistas efectuadas. Mesmo nas próprias equipas, trata-se este assunto como se fosse interdito, acabando por não existir diálogo e troca de experiências/sentimentos entre enfermeiros.
No meu entender, estes profissionais que lidam directamente com a morte, e mais especificamente com a morte da criança, deveriam criar grupos de inter ajuda que facilitassem a comunicação entre si e os ajudassem a lidar com situações das quais eles acabam por se tentar afastar física e emocionalmente.
E vocês, como lidam com esta situação?

